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Poema – Tinta

Por: Zin Carvalho

Meu poema está morto do enfarto
sem rima, sem beleza.
A caneta é só o instinto
Sendo velado na minh’alma…

Tendo que sorrir para os corvos
Eu curvo, sem rima, sem beleza
vejo o quanto é absurdo
meu eu triste ficar

E quase caçando palavras no vocabulário limitado,
De tão cansado que estou,
Vivo pedindo pro branco papel me ajudar.

Poema – Dízimo

Por: Zin Carvalho

Seu corpo ostentado usam
que satisfaz o que pra ele foi feito
Mas seu espírito não tem nenhum efeito
Já que vem de uma tortuosa mente vazia

Das complexidades do amor não se importa
Pois afinal se resume tudo em besteira
O real sentido das coisas é sua beleza
fazendo inveja somente à suas iguais.

Mas se um aparato novo jovem rico se apresenta.
Nele entrava-se logo as grossas pernas,
Todas duas depois viram poderosas celas
Ratoeiras para um homem tolo enganar.

Logo mereces sobrenome pérfido de castigo
Lúbrico adjetivo para uma mulher porca.
Ficarás velha e mucharás feito as rosas
Assim também como o vestido que compras agora.

Poema – Reflexões frustradas

Por: Zin Carvalho

Oh! Cuidado meu…
Você precisa tanto ser?
Ser tanto assim para ter as coisas que quer?

Mas não, não é necessário olhar para suas intenções
Porque elas se montam sozinhas como um quebra-cabeça
Um mistério perseguido desde os tempos em que não me conhecia.

Tua falta de vergonha pra mim é mais que engraçada
Ainda vejo esperança, quando na maldade estampada a cara
Tão exilada no sorriso, só inocência demonstra

Você quer ser o plural
e a semana dos boêmios da cidade,
que mal começa e mal termina
e já tem outras mais para beber.

Mas entender tudo não basta.
Tem que ser um gordo pano branco,
pra sugar todo esse desgastante mel grosso.

E me lamento na profundeza de um precipício
por não ter nascido o avesso.
Talvez assim eu seja menor que tua confusão.

Por não ter acertado uma única vez
Aonde devia ser acertado.

Poema – Palavras

Por: Zin Carvalho

Acalanto, passarinhos, rosas e espinhos
Coração no doce sal.
Olhos, pedra, furada, erosão.

Dança, fragrância, pecado, ousado
viver, calado, sentado, escuro
vazio, silencio, incêndio, pra sempre,
Esperança, infinito

Aniversário, negativa, presente
Nostalgia, deleite, fé, agora
interpretação, muito e pouco
tempo, Você, eu, nós, eles…
Presente, ilustrado, liberdade,
pra nunca…

Resito, resisto, não aguento…
fraseado, escondido, censurado
e cortado em resumo, no tudo

No amor ainda encontro minha insônia
vergonhosa de vagabundo apaixonado!

Eu, dificuldade, expressão!

Por: Dennys Cavalcanti Carvalho

Eu, estorvo precioso…
do mui fidedigníssimo mundo
Joguete desse destino conciliado
com insídias inservíveis
É uma penúria descarada
Coisa volúvel e inauto quem me dera?

Dadivoso de amor, e às vezes mil vezes.
Contrito do mesmo. Resta-me receio…
Irei convalescer dessa conturbada existência?
Não creio que seja uma brisa ou uma britadeira;
sou brando, mas sei brandir minha espada enferrujada,
meu interior de cão manchado de roxo veneno!

É o alvor de minha alma que faz esse brejeiro músculo com sentimentos valer algo à ser conquistado por qualquer uma.
E mais negro que o breu é meu estado de espírito,
se me outorga-se ao menos seu ósculo de maldade,
para saciar meu marasmo.

Não sei se é seu logro, mas sou somente lívido de alma,
e está é a minha lisura, ou se preferir, doçura!
Meu lírico, tocado à harpas celestes
enterrado em um lugar para mudos aplausos do silêncio.